Aê pessoal! Andei fazendo uma limpeza aqui no blog. Sabe como é, apaga uns posts ali, remove outros comentários aqui, e assim vai. Como aqueles que acompanham o blog já devem ter percebido, apaguei os posts e comentários referentes aquele incidente divertidíssimo com o anônimo, onde quase aconteceu uma batalha judicial. Apaguei porque não julgo que seja do interesse de possíveis novos leitores (até parece que alguém vai querer ler isto aqui), nem acho sadio anônimos assumirem personalidade de outras pessoas. Além do mais, o blog tava parecendo um daqueles programas onde os convidados lavam a roupa suja no auditório. E calma, daqui a poco sai um novo capítulo. Não tive muito tempo pra escrever ultimamente, mas já tenho idéia do que sairá no capítulo seguinte. Esperem…
Limpeza!
Novembro 28, 2005Contos da Terra Alta – Capítulo 011-1406
Novembro 11, 2005Aproveitamos esse emocionante momento de pura ação na história para dar uma palavrinha dos nossos patrocinadores. Falaremos agora sobre o livro que é o maior sucesso entre os autistas. Aquele que é mais famoso que o “O Livro de Ouro da Mitologia Autista” ou “Você-Sabe-Quem: Verdade ou Mito?” e que ganhou famosos prêmios como “o livro ilustrado mais vendido para cegos (1682 – 1839*)”. Trata-se de nada mais, nada menos que O Guia do Mochileiro da Terra Alta. Um guia completo que inclui toda a história da Terra Alta, figuras importantes, assuntos inócuos e sugestões sobre aquele lugar ideal para você passar suas férias com a patroa. Ele vem no prático formato bolso, pesando meros 15 quilos, com capa dura, onde há escrito com letras garrafais e amigáveis: “ENTRE EM PÂNICO, afinal você está na Terra Alta”.
O Guia do Mochileiro da Terra Alta contém tudo, absolutamente tudo que você precisa saber sobre esse maravilhoso mundo. Inclusive, o autor destes contos utilizou-se dele para escrever os capítulos que falam sobre a Terra Alta e Você-Sabe-Quem. Quer um exemplo? Vejamos o que o guia nos fala sobre Flautulos, o Fedorento (extraído da página 15.789.231):
“Flautulos, O Fedorento
Muito pouco se sabe sobre Flautulos. Todas as informações que existem sobre ele são plenamente baseadas em lendas e boatos. Só um fato é conhecido com certeza: sua incrível habilidade de exalar um pútrido odor, capaz de matar qualquer ser vivo que entre em contato com o fedor. A criatura morre após sofrer uma indescritível agonia, mesmo ela sendo incapaz de sentir cheiro. Fora isto, temos uns escassos relatos que pendem ao fantástico, como a história que diz que ele engoliu um gambá-carniça vivo (ver tópico sobre este animal). O pobre do animal estaria apodrecendo até hoje no seu estômago (se ele tiver um), conferindo a Flautulos sua notável capacidade.
A última aparição histórica de Flautulos aconteceu há uns 500 anos. Vários documentos apontam ele como o culpado pelo surgimento do deserto da Caaatinga Da Porra. Como todos sabem, a região deste deserto tinha a fauna e flora mais rica da Terra Alta. Contudo Flautulos soltou lá a sua arma mais mortal. Todos os seres vivos da região morreram e o local virou um deserto sem vida, ainda hoje impregnado com o terrível cheiro deste genocida. Após este incidente, ele foi banido, sendo obrigado a viver nas profundezas de uma montanha perto do Pântano do Paul. Alguns cientistas autistas ainda quiseram utilizar as habilidades de Flatulos como uma forma de energia econômica, mas essa idéia foi abandonada após muitas excursões de exploração terem sido perdidas ao inadvertidamente entrar em contato com o seu cheiro. Portanto, se você quiser visitar este maravilhoso Pântano (ver tópico relacionado) evite a todo custo a montanha que Flautulos mora. É melhor ir pela Capital da Praça, local bem mais agradável, sem falar que é a sede do famoso campeonato de dómino autista (ver tópico sobre o dominó).”
Totalmente informativo, não é? Ligue já 011-1406 e peça agora mesmo o seu guia. Mas espere!! Não é só isso! Compre agora o seu “Guia do Mochileiro da Terra Alta” e leve inteiramente grátis um guia com as regras do dominó autista e suas principais vertentes.
Mas não ligue ainda! Comprando à vista você ainda…
- Tá bom! Chega de propaganda! Vamos voltar à programação normal no próximo capítulo. Esperamos você lá!___________________________________________________
(1682-1839) – Esta contagem de anos é feita de acordo com o Registro da AMTA – Associação de Moradores da Terra Alta. Não tem nada a ver com a contagem normal que fazemos. Como exemplo, o ano vigente na Terra Alta é o 1840, enquanto o nosso é 2005.
Contos da Terra Alta – Capítulo VII
Novembro 1, 2005Frôxo e Blue estavam exaustos. Caminhavam desde o raiar do dia e agora o sol estavam bem acima deles, castigando-os alegremente. Barangorn não demonstrava o menor sinal de cansaço, e já criara uma boa distância deles.
- Pera!! Barangorn! Pera aê! – Suplicava Blue. Barangorn parou. Já era hora de fazer uma pausa para comerem alguma coisa e explicar-lhes o que iriam enfrentar mais adiante. A floresta sombria já surgia ameaçadoramente na frente deles, e Barangorn não queria perder muito tempo naquele lugar.
- Vamu cumê. Mai nóis tem qui ser rápitu.
- Que merda ele falou? – Frôxo ainda não tinha se adaptado ao sotaque do nobre guia, mas já conseguia entender muita coisa. Só às vezes que seu vocabulário lhe traía.
- Hora da bóia. Se quiser descansar, aproveita. Parece que ele tá com pressa. – traduziu Blue.
- Ufa, já era hora! E o que temos pra comer?
Barangorn desempacotou os biscoitos e entregou alguns para os dois. Frôxo desanimou:
- Não! Mithril de novo não!
Já fazia uns cinco dias desde o primeiro encontro com Barangorn. A única coisa que eles comeram nesses dias foi mithril. Depois desse tempo, por mais gostoso que seja, ninguém agüenta sequer ver um biscoito de mithril na frente.
- Si num quer, mior. Soba mais.
- Merda… – Frôxo começou a comer o biscoito, desconsolado.
Depois de “almoçarem”, Barangorn permitiu os dois fazerem um rápido descanso. Quando já era hora de partiu, fez o aviso:
- Iscuti beim us tois. Naquela floreta teim um cimitériu. Num tá muitu tempu de caminhata não. Numa tarte nóis atraveta ela. Só num queru ficá lá di noite.
- É o cemitério clandestino? Ouvi falar que fica nestas terras – O rosto preocupado de Blue assustou Frôxo.
- É tim tinhô.
- Mas é mal-assombrado! Não vou por aí, não senhor!!!
Frôxo tremeu ao escutar “mal-assombrado”. Começou a dar sua característica crise de risos.
- O tinhô é um homi ou um pratu de papa? Di tardi não teim pirigu não tinhô – e sem dizer mais nenhuma palavra, Barangorn declarou por encerrada a questão. Começou a caminhar em direção à floresta, em um passo rápido. Sem mais o que dizer, Blue e Frôxo correram para acompanhá-lo.
Não demorou muito para que eles estivessem no coração da floresta. Nem conseguiam enxergar uma trilha ali. Dependiam apenas da experiência de Barangorn. De súbito, o guia pára. Quando os outros dois o alcançou, descobriram o porquê: havia o corpo de um homem no chão, segurando firmemente uma garrafa de pinga.
- Um… um… mooor… – Blue nem completou a frase, pois desmaiou ali mesmo. Barangorn apenas verificou o pulso do homem caído. Deu uma rápida olhada no lugar e concluiu:
- U nomi dele era Zé. Ele morreu di cirroti aguda. Ele tava pateando aqui com um amigu, us tois tavam bêbadu. Inclusivi o amigu dele qui si chamava Zé, morreu tamém. Eles viram alguma coisa assustatora, tenhu certeta.
- Assustadora como uma lápide quebrada e uma cova aberta?? Tem até um nome aqui… deixa ver… “aqui jaz (censurado*)”…
- Nããããããããuuuuuumm!!!! – Barangorn saltou sobre Frôxo, tapando sua boca. O coitado do rapaz ficou aturdido, sem saber o que se passava.
- Nunca mai ripita ete nomi, ententeu??
Frôxo fez que sim com a cabeça. Queria saber o porquê, mas tinha medo do que podia descobrir. A cara de desespero que Barangorn fez não ajudou muito também.
- Vamu imbora daqui, antis que anoiteta. Pega nus braçus du ratu qui eu pego as perna.
E assim atravessaram a floresta, sem maiores problemas. É verdade que bateram a cabeça de Blue algumas vezes nas raízes que estavam expostas, já que pela forma que o carregavam, ela pendia livre. Mas não causou nenhuma seqüela, como confirmariam mais tarde. Quando a noite caiu, eles já estavam diante de uma grande montanha, único obstáculo que os separavam do pântano do Paul. Finalmente Blue tinha recobrado os sentidos:
- Droga, que dor de cabeça! Onde estamos?
- Mas que belo, hein? Desmaiando feito uma moça… – repreendeu Frôxo.
- Cala a boca, donzelo. Não posso ver sangue.
- Mas não tinha sangue ali.
- Mas eu poderia encontrar mais cedo ou mais tarde. Melhor ter desmaiado logo. Já atravessamos a floresta?
- Já tim tinhô. Aminhã vamu entrá nas mina dentu da montanha. Tem genti qui diz qui Flautulos mora aí dentu da montanha. Entaum a genti vai passar rapidin, intenteram?
- Mas quem é Flautulos? – perguntou Frôxo.
- Ah, cala a boca. Melhor você não conhecer. Dorme aí que amanhã o dia é cheio. Boa noite vocês todos.
Os três se acomodaram e não tiveram problemas para dormir, exceto Frôxo. O incidente do nome proibido ainda martelava na sua cabeça. Decidiu perguntar a Blue:
- Blue? Acorda!
Escutou um gemido como resposta. Continuou:
- Blue? Tá acordado?
- Agora estou. Que foi?
Frôxo contou o que acontecera na floresta. Blue não deu muita atenção. Estava ainda com aquela enxaqueca estranha, e também muito sono.
- Ah, faz o que ele mandou. Fica quieto e não fala mais. Tem umas histórias por aí, que se você falar um certo nome três vezes, algo ruim acontece. Agora vai dormir.
Frôxo ainda estava encucado. O que aconteceria se chamasse aquele nome por mais duas vezes? Ele logo, logo saberia. Como? Em um outro capítulo vocês ficarão sabendo. ___________________________________________________
* Censurado: quando você, caro leitor, ver esta palavra entre parênteses, saiba que aqui foi citado o nome de Você-Sabe-Quem. Por motivos óbvios, o nome foi suprimido desta obra. Cuidamos também da sua segurança.
Escrito por Big_DJouse
Escrito por Big_DJouse
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