Frôxo já não agüentava mais. Um dia de caminhada dentro da montanha e tudo o que conseguia ver era a escuridão. Barangorn liderava o grupo, usando uma espécie de pedra fluorescente. Segundo ele, acender uma tocha poderia ser muito perigoso, pois certamente provocaria uma explosão de proporções catastróficas. Para Frôxo, ele estava sendo demasiadamente cuidadoso. Antes de entrar na tal montanha, Barangorn tinha distribuído uns cilindros que, segundo ele, estavam cheios de ar puro. Sem falar dos predendores de narinas em mithril, que cada um tinha recebido:
- Itu é casu nóis veja Flautulus. Ocês ponham nu nariz, quié pá num cheirá nata. Us tilindru, ocês ponham na boca, quié procês rispirá – instruiu Barangorn.
- Isso é ridículo! Acaso tem um gambá-carniça preso dentro desta montanha??? – contestou Frôxo.
- Algo muito pior, meu caro. Muito pior. Flautulos deixa um gambá-carniça asfixiado – Comentou Blue.
Para que vocês entendam a gravidade do comentário de Blue, vejamos o que o Guia do Mochileiro da Terra Alta (compre já o seu!) nos diz sobre o gambá-carniça:
“Gambá-Carniça:
Um dos animais mais fedidos de toda a Terra Alta. Seu cheiro é tão terrível que nem mesmo eles agüentam viver em grupo. Na verdade, nem mesmo eles suportam o próprio cheiro. Este animal aparece em muitos mitos e lendas do folclore autista. Há até mesmo uma superstição que diz que se alguém ver um gambá-carniça, terá azar por toda a vida. Na realidade, poucos conseguem ter contato visual com um, pois ninguém agüenta chegar tão próximo a ele.
O Gambá-Carniça chama a atenção dos estudiosos autistas. É o único caso da natureza onde os animais fazem sexo não por instinto, mas sim por obrigação. Por essa razão, são raríssimos. E é também um dos pouquíssimos casos em que o animal define o habitat em que vive. Afinal, sua mera presença é capaz de fazer a flora do ambiente apodrecer. Já se cogitou fazer um uso bélico deste animal, mas a idéia foi abandonada devida à alta periculosidade de criá-lo em cativeiro.”
Esclarecido o que é um gambá-carniça, voltemos à nossa narrativa. Já passava, pois, mais de um dia de caminhada dentro da montanha, e o visual não era nada animador. O caminho também não ajudava, pois era extremamente sinuoso. Subida, descida, descida íngreme, subida, mais descida, descida realmente íngreme, e assim por diante. A situação só ficou interessante quando Blue tropeçou em algo no chão:
- Que droga é essa??
Barangorn focou a luz no chão, para que pudessem ver onde pisavam. Foi então que viram esqueletos espalhados por todo o lugar. Bem, não viram por todo o lugar, mas não precisava pensar muito para chegar nesta conclusão. Em todos eles, uma característica em comum. Suas mãos estavam obstruindo o que antes foram seus narizes. Em alguns podiam-se ver ainda as expressões de extrema agonia pela qual passaram. Sem dúvida aquela era a prova de que Flautulos era bem mais do que uma velha lenda autista.
- Cadáááá…- Blue desmaiou. Barangorn colocou todo o equipamento no rato e em si. Mandou Frôxo fazer o mesmo. Não era hora de se descuidar. Pôs Blue nas suas costas e ordenou Frôxo a segui-lo fazendo o menor barulho possível.
Continuaram a caminhar. A tensão só aumentava e Frôxo começou a perceber que a densidade do ar também. Ao menos ele queria acreditar que era ar. Mais parecia que eles estavam andando submersos em algum lago. Na verdade, o gás que Flautulos exalava era tão denso que chegava até mesmo a limitar os movimentos. À medida que avançavam, os dois começam a escutar um respirar, vindo mais adiante do corredor. Só podia ser Flautulos, o Fedorento. Como não tinha o que fazer, continuaram indo em frente, com o maior cuidado possível. Podiam sentir o vento causado pela respiração do monstro. Fosse o que fosse, era enorme e felizmente estava dormindo. Frôxo era um legítimo representante do seu nome: tremia feito gelatina pegando carona em uma carroça desgovernada.
Quando julgavam estar diante do monstro, o pior aconteceu: Frôxo pisou em um graveto. Não foi o barulho do graveto sendo pisado que acordou Flautulos, mas sim a pergunta que Frôxo fez em seguida:
- O que faz um graveto aqui??
- Psssssiu! – Alertou Barangorn. Mas já era tarde demais. Dois olhos vermelhos brilhavam na escuridão e uma voz tonitruante preencheu toda a caverna:
- Quem está aqui??? Quem ousa despertar Flautulos??!?!
Então o monstro começou a andar. Uma fraca luz começou a invadir a caverna. Barangorn percebeu de imediato que se tratava de uma saída. Frôxo percebeu de imediato que Flautulos era um dragão, e dos grandes. Os dois juntos perceberam de imediato que Flautulos estava entre eles e a saída, e que isso iria complicar as coisas. Por sua vez, Flautulos ainda não percebera onde eles estavam escondidos. Blue não percebera nada, pois ainda estava desacordado. O dragão decidiu amendrotá-los:
- Vocês sabem que eu sou?? Sabem do que sou capaz?? Devo avisá-los que comi um pãozinho com ovo ainda agora, e neste momento estou terminando a digestão.
A série de risinhos nervosos de Frôxo denunciou a posição deles. O enorme réptil virou-se e usou sua arma mortífera:
- Ria disso seu pobre mortal!! Háháháhá!!!!
O que veio depois foi o terror. Para sorte dos três, eles ainda conseguiram se esconder atrás de um rochedo. Parecia que um tornado estava destruindo o lugar. Seguravam-se na rocha como podiam. Se pudessem sentir o cheiro do ar naquele instante, estariam mortos.
Foi nesse momento desesperador que Frôxo teve uma idéia. Caso não saibam, Frôxo era capaz de ter idéias brilhantes em momentos desesperadores. Infelizmente aquele não foi o caso. A idéia que ele teve ali foi totalmente idiota e somente por pura sorte acabou dando certo. Se Frôxo soubesse dos problemas que iria enfrentar no futuro, com certeza teria evitado essa manobra. Mas no momento, foi tudo que conseguiu pensar. Com dificuldade ficou em pé e gritou com toda a força:
- (censurado), (censurado), (censurado)!!!!!
Uma risada maligna preencheu o lugar. O cheiro ébrio de limão não invadiu o lugar, pois no quesito cheiro, Flautulos comandava. Então ele surgiu. O pesadelo de todo autista, aquele cujo nome faz tremer muitos. Você-Sabe-Quem.
- Quem me chamou??
Frôxo e Barangorn apontaram para Flautulos ao mesmo tempo e gritaram em uníssono:
- Ele!!!
- Não!! Mentira, foi aquele ali, com cara de idiota!! – Tentou defender-se Flautulos.
- Bem, são dois contra um, então eu escolho você! Bwhahahahahahaha!!!!
- Sabe quem sou? Flautulos, o Fedorento!!! Não pense que tenho medo de você!!!
- Ah, prazer, meu nome é (censurado). Faz tempo que não pratico a Fofoquiromancia, então, me desculpe se nunca ouvi falar de você.
- Ah, maldito! Aquela batata com doce de leite que comi ainda a pouco vai fazer você se arrepender do que disse!
- Eu sou o único imune à suas flatulências!!
- Argh!!! – A mentira de Você-Sabe-Quem acertou Flautulos em cheio. Enquanto isso, Frôxo e Barangorn tratavam de escapar dali. Que os dois resolvessem suas diferenças. Ainda podiam ouvir o barulho do terrível combate sendo travado na caverna, à medida que subiam até a saída. Então a montanha começou a tremer. Flautulos devia estar usando seu último recurso, um repolho podre que tinha comido no dia anterior. Blue finalmente acordou com o barulho.
- Mas o que está… – nesse momento ele se deu conta do prendedor de narinas e o tirou. Desmaiou novamente.
- Nóis tá muito pertu dele ainta. Rápitu, qui a montanha vai desmoroná.
Os dois subiram como um raio. Finalmente alcançaram a saída daquela montanha terrível e por pouco não foram soterrados lá dentro. Eles tinham vencido uma parte dificílima da viagem. Adiante estava a estrada que levaria ao Pântano do Paul. Só que eles não foram diretamente para lá. Antes foram para a Capital da Praça, onde estava ocorrendo o Campeonato Anual de Dominó Autista. Só que isto é história para outro capítulo.
Contos da Terra Alta – Capítulo VIII
Dezembro 14, 2005Limpeza!
Novembro 28, 2005Aê pessoal! Andei fazendo uma limpeza aqui no blog. Sabe como é, apaga uns posts ali, remove outros comentários aqui, e assim vai. Como aqueles que acompanham o blog já devem ter percebido, apaguei os posts e comentários referentes aquele incidente divertidíssimo com o anônimo, onde quase aconteceu uma batalha judicial. Apaguei porque não julgo que seja do interesse de possíveis novos leitores (até parece que alguém vai querer ler isto aqui), nem acho sadio anônimos assumirem personalidade de outras pessoas. Além do mais, o blog tava parecendo um daqueles programas onde os convidados lavam a roupa suja no auditório. E calma, daqui a poco sai um novo capítulo. Não tive muito tempo pra escrever ultimamente, mas já tenho idéia do que sairá no capítulo seguinte. Esperem…
Contos da Terra Alta – Capítulo 011-1406
Novembro 11, 2005Aproveitamos esse emocionante momento de pura ação na história para dar uma palavrinha dos nossos patrocinadores. Falaremos agora sobre o livro que é o maior sucesso entre os autistas. Aquele que é mais famoso que o “O Livro de Ouro da Mitologia Autista” ou “Você-Sabe-Quem: Verdade ou Mito?” e que ganhou famosos prêmios como “o livro ilustrado mais vendido para cegos (1682 – 1839*)”. Trata-se de nada mais, nada menos que O Guia do Mochileiro da Terra Alta. Um guia completo que inclui toda a história da Terra Alta, figuras importantes, assuntos inócuos e sugestões sobre aquele lugar ideal para você passar suas férias com a patroa. Ele vem no prático formato bolso, pesando meros 15 quilos, com capa dura, onde há escrito com letras garrafais e amigáveis: “ENTRE EM PÂNICO, afinal você está na Terra Alta”.
O Guia do Mochileiro da Terra Alta contém tudo, absolutamente tudo que você precisa saber sobre esse maravilhoso mundo. Inclusive, o autor destes contos utilizou-se dele para escrever os capítulos que falam sobre a Terra Alta e Você-Sabe-Quem. Quer um exemplo? Vejamos o que o guia nos fala sobre Flautulos, o Fedorento (extraído da página 15.789.231):
“Flautulos, O Fedorento
Muito pouco se sabe sobre Flautulos. Todas as informações que existem sobre ele são plenamente baseadas em lendas e boatos. Só um fato é conhecido com certeza: sua incrível habilidade de exalar um pútrido odor, capaz de matar qualquer ser vivo que entre em contato com o fedor. A criatura morre após sofrer uma indescritível agonia, mesmo ela sendo incapaz de sentir cheiro. Fora isto, temos uns escassos relatos que pendem ao fantástico, como a história que diz que ele engoliu um gambá-carniça vivo (ver tópico sobre este animal). O pobre do animal estaria apodrecendo até hoje no seu estômago (se ele tiver um), conferindo a Flautulos sua notável capacidade.
A última aparição histórica de Flautulos aconteceu há uns 500 anos. Vários documentos apontam ele como o culpado pelo surgimento do deserto da Caaatinga Da Porra. Como todos sabem, a região deste deserto tinha a fauna e flora mais rica da Terra Alta. Contudo Flautulos soltou lá a sua arma mais mortal. Todos os seres vivos da região morreram e o local virou um deserto sem vida, ainda hoje impregnado com o terrível cheiro deste genocida. Após este incidente, ele foi banido, sendo obrigado a viver nas profundezas de uma montanha perto do Pântano do Paul. Alguns cientistas autistas ainda quiseram utilizar as habilidades de Flatulos como uma forma de energia econômica, mas essa idéia foi abandonada após muitas excursões de exploração terem sido perdidas ao inadvertidamente entrar em contato com o seu cheiro. Portanto, se você quiser visitar este maravilhoso Pântano (ver tópico relacionado) evite a todo custo a montanha que Flautulos mora. É melhor ir pela Capital da Praça, local bem mais agradável, sem falar que é a sede do famoso campeonato de dómino autista (ver tópico sobre o dominó).”
Totalmente informativo, não é? Ligue já 011-1406 e peça agora mesmo o seu guia. Mas espere!! Não é só isso! Compre agora o seu “Guia do Mochileiro da Terra Alta” e leve inteiramente grátis um guia com as regras do dominó autista e suas principais vertentes.
Mas não ligue ainda! Comprando à vista você ainda…
- Tá bom! Chega de propaganda! Vamos voltar à programação normal no próximo capítulo. Esperamos você lá!___________________________________________________
(1682-1839) – Esta contagem de anos é feita de acordo com o Registro da AMTA – Associação de Moradores da Terra Alta. Não tem nada a ver com a contagem normal que fazemos. Como exemplo, o ano vigente na Terra Alta é o 1840, enquanto o nosso é 2005.
Contos da Terra Alta – Capítulo VII
Novembro 1, 2005Frôxo e Blue estavam exaustos. Caminhavam desde o raiar do dia e agora o sol estavam bem acima deles, castigando-os alegremente. Barangorn não demonstrava o menor sinal de cansaço, e já criara uma boa distância deles.
- Pera!! Barangorn! Pera aê! – Suplicava Blue. Barangorn parou. Já era hora de fazer uma pausa para comerem alguma coisa e explicar-lhes o que iriam enfrentar mais adiante. A floresta sombria já surgia ameaçadoramente na frente deles, e Barangorn não queria perder muito tempo naquele lugar.
- Vamu cumê. Mai nóis tem qui ser rápitu.
- Que merda ele falou? – Frôxo ainda não tinha se adaptado ao sotaque do nobre guia, mas já conseguia entender muita coisa. Só às vezes que seu vocabulário lhe traía.
- Hora da bóia. Se quiser descansar, aproveita. Parece que ele tá com pressa. – traduziu Blue.
- Ufa, já era hora! E o que temos pra comer?
Barangorn desempacotou os biscoitos e entregou alguns para os dois. Frôxo desanimou:
- Não! Mithril de novo não!
Já fazia uns cinco dias desde o primeiro encontro com Barangorn. A única coisa que eles comeram nesses dias foi mithril. Depois desse tempo, por mais gostoso que seja, ninguém agüenta sequer ver um biscoito de mithril na frente.
- Si num quer, mior. Soba mais.
- Merda… – Frôxo começou a comer o biscoito, desconsolado.
Depois de “almoçarem”, Barangorn permitiu os dois fazerem um rápido descanso. Quando já era hora de partiu, fez o aviso:
- Iscuti beim us tois. Naquela floreta teim um cimitériu. Num tá muitu tempu de caminhata não. Numa tarte nóis atraveta ela. Só num queru ficá lá di noite.
- É o cemitério clandestino? Ouvi falar que fica nestas terras – O rosto preocupado de Blue assustou Frôxo.
- É tim tinhô.
- Mas é mal-assombrado! Não vou por aí, não senhor!!!
Frôxo tremeu ao escutar “mal-assombrado”. Começou a dar sua característica crise de risos.
- O tinhô é um homi ou um pratu de papa? Di tardi não teim pirigu não tinhô – e sem dizer mais nenhuma palavra, Barangorn declarou por encerrada a questão. Começou a caminhar em direção à floresta, em um passo rápido. Sem mais o que dizer, Blue e Frôxo correram para acompanhá-lo.
Não demorou muito para que eles estivessem no coração da floresta. Nem conseguiam enxergar uma trilha ali. Dependiam apenas da experiência de Barangorn. De súbito, o guia pára. Quando os outros dois o alcançou, descobriram o porquê: havia o corpo de um homem no chão, segurando firmemente uma garrafa de pinga.
- Um… um… mooor… – Blue nem completou a frase, pois desmaiou ali mesmo. Barangorn apenas verificou o pulso do homem caído. Deu uma rápida olhada no lugar e concluiu:
- U nomi dele era Zé. Ele morreu di cirroti aguda. Ele tava pateando aqui com um amigu, us tois tavam bêbadu. Inclusivi o amigu dele qui si chamava Zé, morreu tamém. Eles viram alguma coisa assustatora, tenhu certeta.
- Assustadora como uma lápide quebrada e uma cova aberta?? Tem até um nome aqui… deixa ver… “aqui jaz (censurado*)”…
- Nããããããããuuuuuumm!!!! – Barangorn saltou sobre Frôxo, tapando sua boca. O coitado do rapaz ficou aturdido, sem saber o que se passava.
- Nunca mai ripita ete nomi, ententeu??
Frôxo fez que sim com a cabeça. Queria saber o porquê, mas tinha medo do que podia descobrir. A cara de desespero que Barangorn fez não ajudou muito também.
- Vamu imbora daqui, antis que anoiteta. Pega nus braçus du ratu qui eu pego as perna.
E assim atravessaram a floresta, sem maiores problemas. É verdade que bateram a cabeça de Blue algumas vezes nas raízes que estavam expostas, já que pela forma que o carregavam, ela pendia livre. Mas não causou nenhuma seqüela, como confirmariam mais tarde. Quando a noite caiu, eles já estavam diante de uma grande montanha, único obstáculo que os separavam do pântano do Paul. Finalmente Blue tinha recobrado os sentidos:
- Droga, que dor de cabeça! Onde estamos?
- Mas que belo, hein? Desmaiando feito uma moça… – repreendeu Frôxo.
- Cala a boca, donzelo. Não posso ver sangue.
- Mas não tinha sangue ali.
- Mas eu poderia encontrar mais cedo ou mais tarde. Melhor ter desmaiado logo. Já atravessamos a floresta?
- Já tim tinhô. Aminhã vamu entrá nas mina dentu da montanha. Tem genti qui diz qui Flautulos mora aí dentu da montanha. Entaum a genti vai passar rapidin, intenteram?
- Mas quem é Flautulos? – perguntou Frôxo.
- Ah, cala a boca. Melhor você não conhecer. Dorme aí que amanhã o dia é cheio. Boa noite vocês todos.
Os três se acomodaram e não tiveram problemas para dormir, exceto Frôxo. O incidente do nome proibido ainda martelava na sua cabeça. Decidiu perguntar a Blue:
- Blue? Acorda!
Escutou um gemido como resposta. Continuou:
- Blue? Tá acordado?
- Agora estou. Que foi?
Frôxo contou o que acontecera na floresta. Blue não deu muita atenção. Estava ainda com aquela enxaqueca estranha, e também muito sono.
- Ah, faz o que ele mandou. Fica quieto e não fala mais. Tem umas histórias por aí, que se você falar um certo nome três vezes, algo ruim acontece. Agora vai dormir.
Frôxo ainda estava encucado. O que aconteceria se chamasse aquele nome por mais duas vezes? Ele logo, logo saberia. Como? Em um outro capítulo vocês ficarão sabendo. ___________________________________________________
* Censurado: quando você, caro leitor, ver esta palavra entre parênteses, saiba que aqui foi citado o nome de Você-Sabe-Quem. Por motivos óbvios, o nome foi suprimido desta obra. Cuidamos também da sua segurança.
A verdade dói!
Outubro 27, 2005Merda. Este teste está mentindo. Tem que estar:

My blog is worth $0.00.
How much is your blog worth?
PS.: eu editei o resultado na hora de colar na página. Só aumentei um pouquinho o valor. O segredo fica entre nós, ok?
Contos da Terra Alta – Capítulo VI I/II
Outubro 26, 2005Já passava da meia-noite. A lua cheia lançava sua pálida luz entre as árvores daquela densa floresta. A neblina adensava-se em uma macabra dança, enquanto o silêncio, brevemente entrecortado pelo piar de uma coruja, era o arauto do medo. Dois amigos, totalmente embriagados, perambulavam sem rumo neste cenário sombrio, totalmente alheios ao perigo que os cercava. Um deles, um magro alto, contava piadas sem graça para o companheiro, que tentava a todo custo fazer uma ligação num celular imaginário. Mal sabiam eles que caminhavam pelo sombrio cemitério clandestino da Terra Alta. Um lugar amaldiçoado por muitos e visitado por poucos.O magro de repente tropeça em algo. O seu companheiro tropeça solidariamente. Com esforço, ele consegue enxergar um banco daqueles usados em praças e afins. Na verdade, ele tinha visto uma lápide, mas seu estado de alcoolismo não permitia fazer tais distinções. Num lampejo de lucidez, ele perguntou-se o que um banco estaria fazendo ali, no meio do mato. Como não conseguiu reaver o raciocínio, perguntou ao colega:
- Ô Zé (hic), pra que esse banco tá aqui (hic)?
- Ô seu imbecil (hic)! É pra nóis sentar (hic).
- Ah é (hic)! Então vamo terminar (hic) a garrafinha de pinga que eu trouxe (hic).
E assim os dois se sentam e começam a esvaziar a garrafa ali mesmo. Quando a mesma chega na sua metade, um dos dois avisa:
- Peraê (hic)! Vou fazer uma ligação… – ao dizer isso, coloca sua mão em forma de concha na orelha – Alô? É o Djabo?! Já tô chegando!
Se ele soubesse o quanto suas palavras eram verdadeiras, talvez nunca tivesse dito isto. Logo após, ele deixou derrubar a garrafa derramando o precioso líquido no chão. Após o descuido (que nem foi notado pelos dois), seu companheiro fez a seguinte proposta:
- Ei, Zé (hic)! Vamo vê quem (hic) conta a mintira mais braba??
- Rá! Ganho facin, facin (hic). Começa tu.
- Tá bom (hic). Teve uma vez que eu (hic) fui nadar no lago de tarde. Daí me deu um soooono (hic). Tirei um cuchilo dibaixo dágua mermu. Só fui acordá quando já tava de noitinha.
- Que mintira da porra, Zé!! – os dois se chamavam Zé – Ta pior que Você-Sabe-Quem!
Um relâmpago ilumina a noite e um trovão sinistro acompanha o simples mencionar do nome maldito. Uma coruja passa voando por ali perto. Os dois, alheios ao que acontecia, continuam a inventar mais histórias, sem saber que na verdade estavam despertando algo que devia ficar perdido para sempre ali.
- Tem outra boa (hic)!! Um dia desse, depois de um toró daquele brabo, cum truvão e tudo, fui dá um passeio nu mato. De repente ouvi aquele baruio estranho (hic). Cheguei perto da moita e o baruio lá, só chiando. Dei um tapa na moita e pá! Num é que tinha um raio preso lá dentro?
Neste momento um raio cai entre eles, atingindo a lápide. Uma mão sai do solo e uma voz bradou:
- Essa história foi boa, mas tenho uma melhor!! BWHAHAHAHA!!!!!!
- Quem que tá falanu??
A adrenalina começou a pulsar nos dois amigos. Disputava o controle do corpo deles com o álcool. Enquanto discutiam, o medo ficou tomando conta dos dois.
Então ele surgiu. Um ébrio cheiro de limão invadiu o ar, enquanto os dois tremiam diante a sua presença. Era simplesmente o pesadelo de todo autista, aquele cujo nome faz tremer muitos. Você-Sabe-Quem.
- C-CORRE ZÉ!!!
- Não adianta escapar! Vocês vão escutar minha história!!
-NÃÃÃOOO!!!!
O primeiro deles (o que mandou recado para o diabo) foi uma vítima fácil. Não conseguiu escapar a tempo de beber o líquido maldito que estava em uma garrafa empunhada pelo Mentiroso e caiu morto no chão. O segundo correu o máximo que podia, mas não pôde evitar escutar a história de Você-Sabe-Quem. Foi uma mentira tão grande que fritou o cérebro do pobre rapaz (não citaremos a mentira por motivos óbvios). Você-Sabe-Quem ficou triste por ter que beber sozinho, mas fez uma promessa a si próprio:
- BWHAHAHAHA!!! Já era tempo de retornar!! Que os autistas tremam, pois serei amigo de TODOS!!! BWAHAHAHAHA!!!!!!!
E assim saiu rumo a um destino desconhecido. Um destino que com certeza influenciaria na vida de todos os autistas. A ameaça estava pairando mais uma vez sobre a Terra Alta. Quem poderia proteger os pobres autistas? Aguardem o próximo capítulo.
Comentários anônimos nunca mais!
Outubro 25, 2005Bem, já que temos idiotas visitando este blog que não sabe usar os recursos que têm em mãos, decidi remover a possibilidade de se comentar como anônimo.
- Mas como vou te encher o saco agora, Juba?
Não se desesperem. Pra você, que quer comentar no nosso blog e continuar falando asneiras, ainda há uma forma. Primeiro, se quiser preservar seu anonimato, crie um e-mail falso. Tem muitas opções de e-mails gratuitos por aí, que aceitam qualquer bobagem como dados cadastrais. É só procurar.Criou o e-mail? Beleza! Agora é só criar um cadastro no blogger.com. A partir daí você já pode comentar, não como anônimo, mas sim com um pseudônimo. Ahá! Sacaram a jogada? Vamos, pelo menos, dividir os anônimos em categorias.
Ah, e não reclamem. Fazer um cadastro no blogger.com não dói, só dá trabalho. É o mínimo que vocês devem fazer para pagar as pentelhações que irei sofrer futuramente.
Obrigado a todos, até mais.
PS.: Antes que me peçam, já estou trabalhando no capítulo VI I/II. Por favor, não me amolem.
Contos das Terras Altas – Capítulo VI (Agora sim!)
Outubro 19, 2005A primeira coisa que Frôxo e Blue trataram de fazer foi contratar um guia. Só que, depois de passar seis dias a procura de alguém para levá-los com segurança ao Paul, eles estavam a ponto de desistir. O dinheiro que Blue conseguiu de Frô… da venda dos elefantes já estava se esvaindo. A única esperança estava em um vilarejo próximo, na qual eles ouviram rumores de existir um experiente guia vivendo por lá.Ao chegarem no vilarejo, os dois se surpreenderam com o tamanho deste. Era apenas uma rua, com uma mangueira em um dos terrenos baldios. Incrivelmente, era uma das vilas mais famosas das Terras Altas, a vila da Mangueira. O motivo de tanta fama nenhum historiador conseguiu explicar ainda.
Frôxo e Blue entraram na taverna mais próxima. Era uma taverna pobrezinha, que nem chegava a lembrar o luxo presente na taverna do Lunático. Os dois se acomodaram em uma mesa. Blue alertou Frôxo:
- Olha, não peça leite. Não queremos chamar atenção.
Frôxo assentiu com uma série de risinhos nervosos. O taverneiro aproximou-se deles:
- O que vai ser?
- Informação. Na verdade estamos aqui a procura de um nobre cavaleiro retirado, que agora trabalha como guia – ao dizer isto, Blue deixou uma moeda sobre a mesa.
- Barangorn? É, ele vive aqui sim. É só procurar a casinha no fim da rua.
- Valeu, truta! Vambora, Frôxo. É hoje que a gente encontra o guia!
E assim, os dois foram em busca do ilustre cavaleiro-guia. Ao chegar na casinha, viram aquela figura trajando um chapéu de palha, palitando os dentes.
- É por acaso vossa ilustre figura que se intitula, por mérito e honra, Barangorn? – disse Blue fazendo inúmeras reverências. Frôxo não entendeu nada do porquê de tanta formalidade. Ele não sabia que estava diante de uma das lendas da Terra Alta, aquele que um dia já foi chamada de Sir Barangorn, um dos mais nobres cavaleiros que pisaram aquele solo. Depois de um cutucão de Blue, ele também fez uma mesura.
- Tou tim tinhô! Tem ta terenu falá cumigu?
- É o quê??!?!? Que foi que ele falou?
Blue deu um tapa em Frôxo e alertou-lhe num cochicho:
- Cala a boca, idiota. Este homem pode matá-lo com um simples movimento. Ele já foi um dos grandes desta terra.
- E ele não aprendeu a falar?? O que…
Frôxo não teve oportunidade de completar sua pergunta, pois levou outra tapa de Blue. Este por sua vez, dirigiu-se a Barangorn, com toda a adulação que lembrava de possuir:
- Ó grande e honrado que-uma-vez-foi-mas-sempre-será ilustre cavaleiro das Terras Altas, salve, salve! Viemos nós aqui, eu e este imbecil, humildemente pedir-vos a vós que por sua graça e incontestável senso de justiça e caridade, nos auxilie e ajude a encontrar uma criatura que vive nos pântanos do Paul.
- Tinte mueda de ôro*.
- Hein?
- Meu preçu. O tinhô acha qui trabaio de grata?
- Mas, mas… e toda aquela história de honra, caridade, e tal?
- Tou honrádu, mai num tou burro.
- O senhor parcela?
- Podi te, tim tinhô.
- Ótimo. Frôxo, cadê seu cartão?
- Ué, pensei que você tivesse dinheiro suficiente.
- Não discute. Traz ele aqui.
- Ta bom, tá aqui, toma.
Uma vez que o pagamento foi efetuado, Barangorn tratou de fazer os preparativos da viagem. Depois de reunir os mantimentos, foi a vez de reunir as armas. Afinal, nunca se sabe quando se precisará de uma.
- Ispere aqui, qui vou pegá umas armatura e ispata de mítil pá nois.
- Armadura e espada de quê ele disse?
- Mithril**.
- Mithril?? Caraca!!! Ele tem arma de mithril aqui???!?
Depois de todos os preparativos prontos, os três partiram em viagem. Não tardou muito para que se metessem em mais confusão, mas isto é história para um outro capítulo.
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* moedas de ouro: umas das unidades monetárias utilizadas nas Terras Altas. Correspondem cada uma a, mais ou menos, R$ 1.000,00. Lógico que esta conversão sofre diversas flutuações, fruto da economia autista.
** mithril: material extremamente resistente e raro, considerado ainda mais duro que o diamante, embora seja extremamente leve. Muitos acham que se trata de um minério raríssimo, enquanto os mais esotéricos afirmam que ele é extraído das escamas de um dragão. Na verdade, o mithril é uma iguaria da culinária autista. É nada mais que raspas de quenga de côco, assadas com farinha de mandioca e diversos condimentos típicos dos autistas. Depois de uma semana, ela fica tão dura que é praticamente inquebrável. Isto explica o porquê da sua raridade. Ninguém agüenta esperar uma semana sem comê-la. É normal qualquer ferraria que trabalhe com mithril falir, por simples falta de material. Isto explica também a surpresa de Frôxo quando soube que Barangorn tinha armas forjadas em mithril na sua casa. Sua reação deve-se, em segundo lugar, por saber quão raro é o mithril e, em primeiro lugar, por estar faminto na hora.
Contos da Terra Alta – Parte V
Outubro 4, 2005Frôxo se perguntava como pôde ter desconfiado de Blue Jazzitos. O luxuoso quarto em que eles descansavam agora era prova da honestidade e boa índole do rato. De início, Frôxo ainda teve a coragem de pensar que Blue Jazzitos estivesse pagando aquele quarto para eles com o dinheiro que havia roubado da sua carteira. Mas tranqüilizou-se ao saber que se tratava da comissão que Blue havia recebido por vender dois elefantes alados cor-de-rosa a um alemão anão dono de um circo romeno. Frôxo nunca tinha visto alguém com tamanho desapego por dinheiro. Com as dúvidas esclarecidas, Blue Jazzitos explicou-lhe o plano que tinha em mente. Na verdade, ele estava procurando um lugar lendário, conhecido como “A Preaca”. Conforme rezava a lenda, lá um homem podia viver o resto da sua vida em luxúria constante. Não havia como Frôxo continuar invicto neste lugar. Blue Jazzitos dissera-lhe que tinha provas da existência da “Preaca” e estava decidido a encontrá-la. Na verdade ele não tinha muitas pistas por onde começar, mas contava com a ajuda de Frôxo. Afinal, segundo ele, duas pessoas procurando é melhor que uma. Frôxo decidiu ajudar por dois motivos. Primeiro, era uma ótima oportunidade para conhecer a Terra Alta. Segundo, se havia uma possibilidade, mesmo ínfima, de que ele pudesse finalmente fazer sexo, ele teria que segurar a chance. No dia seguinte, quando saíam da estalagem, uma figura curiosa veio falar com eles: - Eu soube que vocês estão em busca da “Preaca” – disse o baixinho esquisito, fazendo o sinal das aspas com as mãos. Não se podia ver seu rosto, já que usava um capuz. Blue Jazzitos ficou surpreso: - Mas como é que você sabe do nosso plano? Eu não contei a mais ninguém! - Eu sei sabendo. Não importa, estou aqui para ajudar vocês.
- Mas quem é o senhor? – Perguntou Frôxo.
- Uskabba San Safadu Dimás, às suas ordens – respondeu o baixinho encapuzado, fazendo uma mesura.
- Não interessa quem ele é! Como foi que você soube? Desembucha! – Blue Jazzitos não parecia mesmo querer demonstrar sinais de confiança.
- Como eu disse, isso não importa. Só estou aqui agora para lhes dar uma dica. Existe alguém que uma dia esteve na “Preaca” – outra vez o baixinho encapuzado fez o sinal das aspas com as mãos – Ele pode servir de guia à vocês.
Frôxo estava interessado:
- Ah, é? E onde a gente encontra ele?
- No pântano do Paul. Ele já não lembra mais seu próprio nome, mas atende pela alcunha de Gózzum.
- Gózzum? – Blue ficou pensativo. Já tinha escutado esse nome em algum lugar.
- Isso mesmo. Muito cuidado, pois o Paul é a morada de Flautulos, o Fedorento. Se eu fosse vocês, contrataria alguém para levá-los com segurança até lá.
- Nunca vi alguém dizer tanta besteira. Gózzum, Flautulos, Paul. Esse cara tá mentindo. Vamos embora, Blue – Frôxo segurou o braço de Blue Jazzitos e começou a arrastá-lo. - Espera, idiota. Já ouvi falar desse pessoal todo aí. Talvez o maluco esteja certo. Ô Uskabba, sabe como…. ué? Cadê ele? No momento de distração causado por Frôxo, o misterioso ajudante já havia desaparecido. -Tá vendo, seu imbecil? Agora o maluco desapareceu.
- Bem, pelo menos temos uma dica. Vamos procurar pelo tal do pântano do Paul.
- Fazer o quê, né?E assim nossos heróis partiram para o Paul, com esperanças de encontrar com o tal Gózzum. Mal sabiam eles dos perigos que iam enfrentar.
Leiam isto, suas Pacas!!!
Setembro 28, 2005Vejam bem seus desgraçados! Antes de me chamarem de mestre, senhor, iluminado, jedi ou qualquer outra denominação para minha humilde habilidade de beber, vocês deviam dar uma passadinha no Bregareia. Aquela festa sim, reúne todo os mestres da manguaça. Por exemplo, quando cheguei por lá, tinha um cara com 5 canecas no pescoço, voltando do hospital, de onde tinha acabado de tomar uma dose de glicose, indo para a festa novamente, para continuar a beber!! Vi até o furo da agulha no braço do maluco lá. E o maldito ainda teve raciocínio pra guiar a gente!! Se bem que não deu muito certo não, mas tudo bem. O que importa é que a gente vá conferir no próximo ano, para não dizerem por aí que minto.
Escrito por Big_DJouse
Escrito por Big_DJouse
Escrito por Big_DJouse 